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Não foi desejo, nem vontade, nem curiosidade, nem nada
disso. Foi um choque eléctrico como uma surpresa, desses choques que te deixam
com o corpo arrepiado, coração acelerado e cabelo em pé. Foi sentimento, mas
não foi planeado. Foi um querer estar perto, cuidar, tomar conta das dores e
fazer sorrir. A vontade e o desejo vieram depois, bem depois. Não foi um lance
de corpo, foi um lance de alma. Não foram os olhos, nem os sorrisos, nem o
jeito de andar ou de vestir, foram as palavras. Uma saudade e uma urgência
daquilo que nunca se teve mas era como se já tivesse tido antes. Foi amor. É
amor.
